domingo, 3 de junho de 2018

Vontade de soltar o grito de berrar ao mundo surdo,
 de fones e de fomes, berrar até me ensurdecer de ouvir a minha própria expressão.
Uivar a criatividade engolida, proibida, mal vista ,dizer aos quatro ventos que o que o coração têm, que tem mais força que a razão, que o não, que o pecado, que o dinheiro, que o Zé dos padrões, que qualquer julgamento..
Julgamento de corpo,de ideias e ideais, sem verdades e sem vaidades, sem realidades reais.

quinta-feira, 12 de abril de 2018

No ballet do Universo

O universo em um ballet me compassa em sentido certeiro, sem devaneio, sem destino e em desatino.
O universo rodopia sua saia sem que fique tonta. As vezes, não  o acompanho, pois o metrônomo em allegro dos meus desejos se descompassa.
Mas, na valsa dois pra cá e um pra lá, ele me coloca no adágio do pulsar de seu coração ritmado.
Me estaciona em frente a nebulosa, as estrelas e majestosa lua para acalmar a luta da mente e coloca o coração na cauda do cometa e pede para se entregar na viagem do mundo sem forma, sem lógica e sem tempo. Rumo ao vácuo, ao om e a fé de que tudo é como é, e não como a mente quer.

saudades

Quem me dera a saudade ser apenas uma palavra, unicamente uma expressão passageira de um trem vindo da nostalgia. Mas, ela é uma serpente de vários pés que pisa no meu presente, com dedos apontados pro meu coração dizendo "você não vai esquecer porque eu não vou deixar".
Enquanto choro ela ri, ri alto e ensurdece minha mente. Tampos os ouvidos, mas o grito e a zombaria vem de dentro, e não há filtro e nem janela anti ruído que possa brecar seus gritos. Não bastando a mente atormentar, vem no coração e dá um beliscão, uma fisgada e me deixa sem ar. Me paralisa perdida em um espaço tempo, tão longe do agora. Me perco no labirinto dos meus desejos tão antigos de querer você aqui.
A arapuca para ela é instalada, abro um pano cheio de ocupações vazias, e chama ela para comer, e a coloco amarrada em um saco, envolto com cordas e nós, e tiro teu ar.. finjo não dar importância e lhe jogo no porão, na esperança de sufocá-la e ela morrer. Até mantenho uma distância, respiro pseudo aliviada. Em passos silenciosos, melancólicos, em luto cheios de vazios, seguindo escuto gritos abafados. E não são gritos dela dessa vez, dessa vez são gritos meus. Grito por ela, grito por mim, não sei se ela me alimenta da sua presença ou eu me nutro das recordações que ela me traz.
Disfarço, ainda envergonhada, desfaço os nós que amarram o peito, e desfaço o sufoco com choro represado. Abraço a saudade de volta, que ri de mim, e peço que fique mesmo assim, trazendo em sua distância, a tua presença.


Aline Barcelos 11.04.18

terça-feira, 6 de março de 2018

in-lucidez

Poesia encarna na minha pele,
traz emoções antigas e tão presentes.
 Escorrem pelos pelos , pelas pernas e aguam os olhos.
Poesia suam as mãos como vulcão e em revelação,
e não deixa pensar,
vai tropeçando na lógica,
na realidade e traz fantasia.
Por entre a carne faz viajar além do espaço tempo,
trazendo a mentira como companhia,
Ilusão que refaz o toque, o cheiro, o gosto, a loucura.
Pena ser breve, o piscar dos olhos,  fecham as janelas
da recordação, do coração e o farol abre..
acelero....
a vida segue...

3 de março 2018

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Era amor, amavam na lua, no corpo, na alma. Se amavam nas estrelas, na carona de um cometa, amaram e foram um, tão um que não somou. O tempo carregou cada um, pernas se fez, para a vida seguir. Mas, o fio ficou, levando até as alturas, na loucura, nos sonhos, até a saudade, onde lá se encontram e se amam, ainda se tem. Somam quando podem e somem quando querem..

Aline Barcelos
Deveria ter calado a minha dor, não atrapalhado seu silêncio. Mas, como marcar hora para dor vir? Seria ótimo, dor venha na próxima quarta-feira de cinzas, assim choro toda s as mortes em uma morte só. Seria bom, pegar todas as dores e guardá-las em uma sacola de plástico de supermercado, amarrá-las e sufocá-las, tirar o ar delas até ficarem pálidas e desmaiarem. Porém, elas enroscam na garganta que nem espinhos, arranham como arame farpado e escancaram cara fora o que rasgou por dentro.
Me desculpe, se cheguei assim com o peito ardendo, querendo que você assoprasse a minha dor, eu sei que não era hora, mas não tinha como fingir que não era comigo e com você. Me perdoa, se entrei sem tocar a campainha e fui desaguando todo meu sangue venoso e venenoso sobre seus ombros e seu prato de comida. Meu pranto salgou todo seu pudim, eu sei, mas seu fel amargo perturbou todos meus doces planos que tinha de ir com você todos os dias para as nuvens. Tá, tudo bem, quer dizer, eu tentei segurar isso tudo para chegar a hora certa, será que tem hora certa? mas, bem não é bem assim que as coisas funcionam. Eu não funciono bem com horas, nem com nó no peito, nem com vontade de te ver. Eu sei que você pediu distância, mas meu sol amanheceu escaldando, e precisa que você visse o estrago que fez no meu jardim. Cultivei todas essas para você, e você simplesmente deixou para que eu cuidasse sozinha, pois é, não sou tão boa jardineira quanto parece, passo horas a fio enxugando minhas lágrimas, que não dá tempo de regá-las. Tá, me perdoe mais uma vez, se as expectativas foram minhas e se foram em você, mas estou aqui, pedindo para que entenda que dor não tem hora,eu sei que você vai entender, acho que vai.

Aline Barcelos 20.10.2012

das máscaras

às vezes, só presto atenção no lado de fora, o que se passa,
o que passo, assim e assado. E o que acaba passando mesmo é tempo que não volta.
Passo pó, passo pelos nós, as vezes fugindo e as vezes fingindo acompanhada, mas muitas vezes só.
E por fora, visto um sorriso, uma roupa qualquer, um batom, um salto para cansar os pés, e logo poder dizer, cabsei do alto, quero mesmo os pés no chão..
Ah, os pés no chão, é lá que sinto meu pulsar, sinto a terra, sinto a vida, sinto o presente e posso ver o que me acompanha verdadeiramente em silêncio.
Eu sei que muitas horas eu finjo ser, mas na verdade por dentro não posso esconder, essa liberdade que eu quero viver.